Como psicanalista considero de muita importância me pronunciar sobre a homofobia e procurarei fazê-lo de forma que os argumentos usados possam estar em simetria com a paixão que tenho pelo tema e pela causa!

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Imagem de Luis Quiles

Penso como Foucault que caberia aos indivíduos tomar as decisões sobre suas práticas sejam elas sexuais ou não. Cada indivíduo constrói sua identidade seja ela sexual ou das mais diversas formas de se fazer existir e também de viver os prazeres. É uma ética muito subjetiva a qual deve fazer valer. Não há como prescrever uma forma correta de obter prazer sexual. Ao cogitar a ideia de que existe uma forma certa, o indivíduo optará por uma vida pela metade, pois a outra metade será entregue aos padrões e critérios sociais.


Que poder é esse que quer se apoderar do corpo do indivíduo? Baseados em que teorias entendem que é possível uma única forma de expressão do desejo do indivíduo?


Há ainda um certo moralismo no seio da família, que trata a homossexualidade como doença e a ignora como uma das diversas formas de identidade sexual. “O indivíduo cresce com aquela noção de moral e com a ideia de heterocentrismo, de que ser homem é ser hétero.”


Na visão psicanalítica a homofobia está muito próxima da ideia do medo, como se a identidade sexual do próprio agressor pudesse eclodir. De alguma forma, essas agressões nos levam a pensar sobre a necessidade de o homofóbico extirpar no outro aquilo que o ameaça, algo que está na ordem do insuportável dentro dele.


O que se faz urgente é considerar que a escolha amorosa precisa prevalecer às forças impelidas por essa ditadura imposta por uma minoria que, segundo a forma como se posicionam, está totalmente despreparada para falar e agir sobre o tema em questão.

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