Crianças e jovens precisam ser inseridos no mundo das responsabilidades! A criança não sabe até onde pode ir e os adolescentes tendem a testar até onde vão os seus limites.

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A forma como os pais se constituem influenciará diretamente a forma como os filhos se desenvolvem.


Sendo assim, se a criança ou o jovem apresenta comportamentos inadequados e inaceitáveis que o colocam, por exemplo, diante de riscos ou perdas, não há como escapar, os pais são coparticipantes! Você deve estar se perguntando: como assim?! Muitas vezes a sua atuação junto à criança é que provoca um problema maior ou permite que o problema se cristalize nela. Vou dar o exemplo de uma criança de nove anos que, ao final da sessão terapêutica, pede à mãe para calçar seus sapatos e amarrá-los.


Essa mãe sabe que a criança precisa criar autonomia, que para se desenvolver de forma saudável precisa crescer e deixar de ser totalmente dependente dela. Sabe, ainda, que para ter um melhor desempenho na escola a criança precisa reconhecer suas potencialidades. E, para que isso aconteça, a mãe precisa deixá-la fazer o que já é capaz.. Ainda assim, acaba cedendo e atendendo ao seu pedido.


É bom lembrar que não somos tão inocentes nas nossas ações e que certamente também ganhamos algo quando, a princípio, parece que estamos apenas protegendo e cuidando dos pequenos! Visto que muitas vezes não agimos conscientemente, torna-se difícil sair de uma posição para outra! Se não saímos, também impedimos as crianças de se livrarem dos lugares aos quais estão aprisionadas.


Alguns pais não compreendem por que o problema acontece apenas com um dos filhos. É preciso entender que em uma família os filhos não recebem a mesma educação, ainda que nascidos do mesmo pai e da mesma mãe: cada filho tem uma representação na vida dos pais e por isso a forma de lidar com cada um deles será diferente. Pode-se “acertar” com um e “errar” com o outro, sim! Por exemplo, um terceiro e último filho pode ser muito dependente e sem iniciativa, já que seus pais não o deixaram crescer exatamente por saber (um saber muitas vezes inconsciente) que seria o último bebê da casa.


Outro exemplo é o de um filho que passa por sérios problemas de saúde na infância. Apesar de curado e sem sequelas, no imaginário dos pais ele não consegue ser visto como uma pessoa saudável e passa a ocupar o lugar do frágil, do fraco e do eterno doente.


É por isso que na terapia com crianças muitas vezes não é possível trabalhar sem que a família seja incluída!


Vamos, então, a outros modelos de pais:


PAIS PERMISSIVOS: Geralmente deixam por conta da criança e do adolescente a responsabilidade de decidir o que, quando e como fazer. Pensam que os limites são prejudiciais à criatividade e à imaginação dos pequenos e que os “nãos” podem deixar traumas! Talvez a grande diferença desse modelo de pais para os “pais muito tolerantes” seja a crença de que essa forma de educar dá bons frutos.


Só que eles cometem um erro básico: responsabilidade se constrói, não é algo inato. Crianças e jovens precisam ser inseridos no mundo das responsabilidades! A criança não sabe até onde pode ir e os adolescentes tendem a testar até onde vão os seus limites… Se não os têm, os riscos são grandes!


Pais permissivos acabam deixando a criança viver experiências ou receber informações sem que ainda tenha maturidade para filtrar e assimilar apenas o que a princípio seria coerente com a fase na qual se encontra. O excesso de informação pode trazer consequências físicas e emocionais.


Lembro-me de uma menina de 11 anos, moradora de um condomínio de classe média alta em um bairro nobre do Rio de Janeiro, que tinha acesso livre à internet e começou a se comunicar com um traficante de um bairro próximo. O envolvimento foi tanto que, seduzida pelo rapaz (bem mais velho), foi convencida a deixá-lo ir ao seu apartamento.


Muitas vezes essas histórias parecem muito distantes das nossas experiências. No entanto, é preciso dar conta de que elas começam da mesma forma que tantas outras que conhecemos: era uma vez um homem e uma mulher que se casaram e tiveram uma linda filha… A continuação… Ah! A continuação vai depender da capacidade de cada um de analisar e avaliar cada capítulo vivido neste enredo que se chama família!
 
 
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Pais Muito Tolerantes


Pais Superprotetores

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