A família que se pergunta por que determinado jovem se envolve com drogas, deveria na verdade perguntar o que daquela determinada família facilitou o seu envolvimento com elas? Com esta pergunta o que proponho é que se inclua a família neste discurso.

Banco-Imagens-Monica-Donetto-Guedes_internet-1519.jpg


Não é possível deixar de compreender que o membro da família que fez esta opção está apenas no lugar da denúncia, marcando que algo não foi elaborado e que por isso vê a drogadicção como um recurso a ser usado para tamponar as incompreensões e os buracos deixados pela impossibilidade de elaboração.


É preciso escutar os pais! Escutar, sobretudo as suas dúvidas e dificuldades quanto ao ato de educar. Fundamental ainda oferecê-los um espaço para pensar que a questão das drogas está para além da informação quanto aos seus perigos e efeitos.


Facilmente o indivíduo distancia-se da realidade e busca fora dele à possibilidade de resolver os problemas. A droga não deixa de ser um caminho para “resolver” os problemas. Na medida em que trás um prazer imediato tira o indivíduo de sua angústia. Sendo assim dá uma sensação de conforto, certo apaziguamento.


Pode-se dizer que a droga anestesia a dor e muitas oferecem uma sensação de prazer! Em excelente entrevista para o programa Saia Justa da GNT o Dr. Drauzio Varella, “recomenda que os pais sejam sinceros com os filhos”.


Muitas vezes é na própria família que o jovem aprende a usar as drogas como recurso para lidar com seus sofrimentos: Como diz Eduardo Kalinas, psicanalista argentino, “ninguém é original em sua patologia” e por isso é preciso olhar para o histórico de jovens e adultos usuários de drogas e observar o histórico das famílias. Muitas delas são psicotóxicas. E o que seriam famílias psicotóxicas? Família que através de uma comunicação verbal ou não verbal apresentam uma serie de condutas aditivas.


É preciso considerar a forma como essa comunicação é feita e provocar uma mudança. É preciso ainda olhar para dentro da própria família e analisar a forma como lida com as suas ansiedades e angústias. Hoje há um apelo social de que é preciso ser feliz a qualquer custo: Ter sucesso, dinheiro, reconhecimento profissional, felicidade na relação amorosa, corpos esculturais… No entanto este ideal nem sempre é correspondido e para suportar a angústia pelo que não dá certo entram as substancias que podem aplacar a dor dos que não suportam com ela conviver.


E aí pais tornam-se modelos em busca de uma felicidade eterna paga a qualquer preço, por exemplo:


• O pai que toma o uísque para relaxar da tensão do trabalho e dos conflitos;


• A mãe que toma um relaxante porque tem que dar conta de uma série de situações;


• Pais que não podem viver momentos de tristeza tomam remédios que os tiram da sensação de mal-estar;


• Pais que precisam cada vez produzir mais e por mais tempo tomam estimulantes;


• Pais em busca dos corpos esculturais entram os remédios para emagrecer ou para ficar “forte”.
 


Nas famílias psicotóxicas que se utilizam da comida, cigarro, tranquilizantes, bebidas alcoólicas ou qualquer outro tipo de substancia de forma compulsiva e para dar conta da ansiedade leva a criança e o jovem a construírem a ideia de que não é possível suportar o mal-estar!É importante pensar, portanto, que as drogas ou qualquer outra substancia, ao invés de permitir o sujeito de falar de sua dor acaba por calá-lo. Um comprimido, uma dose de bebida, um cigarro tende a deixá-lo reprimido e oprimido.

Ainda vemos pais desconsiderando a força da experiência no processo de aprendizagem da criança: Aprende-se muita mais vendo o outro fazer do que propriamente pelo discurso. Aquele velho ditado “faço o que eu digo, mas não faça o que eu faço” definitivamente não cabe aqui.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You May Also Like

O SEGUNDO SEMESTRE É O MELHOR DE TODA GRAVIDEZ?

A Gravidez é um período emocionalmente delicado. Pensando nisso, resolvi criar uma…

Site Bolsa de Mulher – O Papel dos Avós

Entrevista concedida ao site Bolsa de Mulher Repórter: Monica Vitoria Qual é o…