Estas mudanças, geralmente, não acontecem sem trazer alguns aborrecimentos ao jovem. Não é fácil ter entre nove e 14 anos e, de uma hora para outra, precisar aprender a lidar com um corpo adulto tendo ainda pensamentos e atitudes infantis.Ao escutar a angústia de uma mãe que não sabia o que fazer diante das atitudes rebeldes da sua filha de 12 anos, pensei na importância de escrever sobre esta fase.

Ao sair da infância, a criança passa por mudanças corporais significativas que coincidem com as mudanças psicológicas. Ela precisará aprender a lidar com tudo o que se apresenta como novo na sua vida.


Vamos iniciar pelas mudanças corporais.


A puberdade é o nome dado ao processo biológico em que o jovem começa a sofrer mudanças no corpo, por exemplo:


– Os meninos: alargamento dos ombros, maturação dos testículos, crescimento dos pelos pubianos e mudanças de voz;
– As meninas: alargamento dos quadris, formação dos seios, aparecimentos dos pelos púbicos e menstruação.
 
Essas mudanças, geralmente, não acontecem sem trazer alguns aborrecimentos ao jovem. Não é fácil ter entre nove e 14 anos e, de uma hora para outra, precisar aprender a lidar com um corpo adulto tendo ainda pensamentos e atitudes infantis.


Como tudo acontece muito rápido nesta fase, também não é simples ter que coordenar este novo corpo que, de repente, toma novas proporções. Os braços e as pernas, por exemplo, crescem em desproporção com o restante do corpo. Os adolescentes tornam-se estabanados: derrubam os copos na mesa, esbarram nas estantes derrubando o que está em cima delas… E por que isso acontece?


Porque a imagem que têm de si mesmos internalizada é a imagem do corpo infantil e eles vão precisar de um tempo até se ajustar a este “novo” corpo.


É preciso cuidar para não expor o jovem, pois, certamente, não é uma situação confortável ser rotulado como “o estabanado” da casa!
Muitos adolescentes vivem esta fase com muita angústia. E, algumas vezes, a angústia pela perda do corpo infantil pode mostrar-se através de uma tentativa (inconsciente) de adoecimento deste corpo.  É comum os jovens se queixarem de certas dores que não apresentam diagnóstico quando eles são examinados pelos médicos.


É preciso compreender, no entanto, que as dores não são “fricotes” ou invenção do adolescente. Um médico mais experiente compreenderá que por trás desta dor existe algo a ser explicitado.


Certa vez, recebi no consultório uma menina de 12 anos encaminhada pelo seu ortopedista. A jovem apresentava uma postura curvada como se tivesse um sério problema de coluna. Após examiná-la, o médico compreendeu que não havia nada na sua estrutura física que a colocasse naquela condição.


Essa jovem, nas sessões de análise, pode falar o quanto estava sendo difícil crescer. Queria continuar a brincar com as suas amigas mais novas, mas já não era aceita pelo grupo – tinha se tornado uma moça bem alta e com um corpo bem formado.


Como podemos constatar, as mudanças não acontecem isoladas. Não se trata apenas de um corpo que muda, mas de um corpo que muda numa determinada família, num determinado grupo social… Por isso, não há nada determinado.


É necessário acompanhar cada indivíduo e sua história. Comparações de nada adiantam! Apesar de alguns aspectos serem coincidentes, cada um viverá a sua adolescência de forma singular. O que se sabe, no entanto, é que o jovem  será obrigado a renunciar a parte da sua infância e dar conta das responsabilidades a que esta nova fase o convoca. Adultos próximos precisam ajudá-lo neste processo, que não é simples e traz um misto de medo, insegurança e desapontamento.


A família deve construir um lar acolhedor que receba o jovem quando ele se sentir acuado pelas exigências sociais.


É fundamental compreender que nesta fase os amigos tornam-se importantes. O adolescente precisará encontrar “iguais” a ele e, assim, diminuir as angústias frente a esta nova fase.


Os pais, muitas vezes, sentem-se incomodados e preteridos em relação ao grupo de amigos. Mas se todos nós que passamos por esta fase lembrarmos como ela se deu, saberemos que este afastamento momentâneo dos pais é primordial para o desenvolvimento e crescimento dos filhos. O jovem precisa se afastar desses “pais da infância” e fazer experiências que o levem a confiar na sua capacidade de viver sem eles.


Os pais, no entanto, precisam estar atentos às escolhas feitas pelos filhos! Certamente o jovem escolherá como parceiros as pessoas que, de alguma forma, têm algo que o interessa.


É possível acompanhar quem são os amigos do seu filho abrindo espaço para que ele os traga para sua casa. No entanto, não se misture ao grupo! Observe de longe suas atitudes, seus gostos e interesses.


É preciso estar atento à liderança deste grupo: quem é o líder e quais são seus  instrumentos de liderança? O que o faz estar neste lugar? É uma liderança positiva ou negativa? A forma como os pais percebem o grupo e a sua liderança os ajudará a descobrir como intervir quando necessário para que o jovem continue a desenvolver-se de forma saudável.


Jovens nesta fase costumam passar horas no quarto. Muitas vezes são capazes de construir ali o seu mundo! Apesar de muitos pais se incomodarem com esse isolamento, ele também faz parte deste período. O jovem precisa ficar só! É mais uma forma de experimentar o quanto é possível sobreviver sem as amarras dos pais! Com os objetos, as músicas, os vídeos que lhe são familiares, ele vai introjetando  a ideia de que é preciso crescer. Somente se torna preocupante quando o jovem passa a não atender algumas solicitações  de seus familiares, tais como sair do quarto para jantar com os pais, ir a uma festa, ao teatro.  Se o jovem não aceita participar de nenhuma atividade com a família e mesmo com os amigos e demonstra certa  agressividade ao lidar com os pais e irmãos, é bom ficar atento!


Se o jovem na infância construiu uma relação em bases sólidas com seus pais e irmãos, mais tarde conseguirá conciliar amigos e família.
ler também O futuro que estamos construindo para os nossos jovens

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You May Also Like

O SEGUNDO SEMESTRE É O MELHOR DE TODA GRAVIDEZ?

A Gravidez é um período emocionalmente delicado. Pensando nisso, resolvi criar uma…

Site Bolsa de Mulher – O Papel dos Avós

Entrevista concedida ao site Bolsa de Mulher Repórter: Monica Vitoria Qual é o…