Os pais diante das mudanças consideráveis nesta fase do desenvolvimento sentem-se perdidos e não conseguem fazer uma dissimetria na relação com os filhos. É preciso saber que estar próximo, acolher a demanda dos jovens não é se tornar um deles!O reflexo da sociedade de hoje, nos anima a dar uma parada, e refletir sobre o que cada um de nós está fazendo e qual a nossa participação diante do estamos vendo e vivendo.

Os jovens estão cada vez mais encantados pelo “Mundo das Facilidades”: os casos que temos lido nos jornais e que envolvem a classe média, nos levam a inferir que não podemos justificar o caos social apenas pelas dificuldades econômicas e políticas pelas quais passa o país – seria um pensamento reducionista além de facilitar a nossa pouca implicação como pais e educadores.Esses conflitos sinalizam uma doença contemporânea que se revela em cada Estado a partir de sua história: A falta da educação – no sentindo, mas amplo da palavra.Não se sabe como e para que educar. Na verdade estamos sendo empurrados/ pressionados para estabelecer uma relação aberta com nossos jovens, tendo como prioridade a oferta de uma vida “tranquila”, cheia de facilidades e privilégios.

Afinal o que se assiste é a construção de um conceito de que o mundo é de quem tem o poder: o poder econômico, poder financeiro, poder dos armamentos…Que mundo está sendo oferecendo aos nossos jovens? O que está sendo ensinando, que não está sendo aprendido?Pais e educadores precisam reavaliar os seus papéis e repensar os valores que se privilegia nesta difícil arte de educar.É na fase da adolescência que os jovens começam a experimentar, ousar, testar as figuras de autoridade – colocar em cheque seu poder. Identificam-se com personagens, deslumbram-se com tudo o que lhes aproximam do prazer. O futuro para esses jovens é tudo o que pode ser vivido hoje.Os pais diante das mudanças consideráveis nesta fase do desenvolvimento sentem-se perdidos e não conseguem fazer uma dissimetria na relação com os filhos. É preciso saber que estar próximo, acolher a demanda dos jovens não é se tornar um deles!Entendemos que as mudanças carregam, agregadas a elas, o medo e a ansiedade pelo que está por vir, mas não se pode mais viver uma vida onde o que se sobrepõe é a força da impunidade, do descaso, da indiferença ….

É preciso que os pais como adultos e responsáveis, repensem seus valores e orientem seus adolescentes com relação aos conceitos pessoais de vida e sobre a vida. Permitir ao adolescente vivenciar as mudanças e sair da “zona de conforto” que lhe foi outorgada na infância, é permiti-lo crescer, responsabilizar-se, caminhar em busca de uma vida adulta saudável.O que muitas vezes assusta é que esse jovem não constroem projetos, preferem viver o “aqui e agora”, como um instante mágico e interminável. É a experiência da memória onipotente do homem, que tem como seu maior desejo, mesmo que inconsciente, chegar à plenitude. O adolescente vive intensamente este momento que coincide com as mudanças físicas, orgânicas, emocionais e relacionais que acontecem na sua vida (ler também Entrando na Adolescência).

Crescer significa cada vez mais ter que construir uma identidade própria , e com isso cada vez mais se afastar desse momento inicial da vida onde vivia o prazer constante, a saciedade e o conforto.O papel dos pais e educadores, portanto, é dar condições a esse jovem de crescer. Ultrapassar essa fase da vida, consciente do seu papel na escola e na família, entendendo com isso que enquanto um sujeito que faz parte da história da humanidade possui um compromisso social. Favorecer esse jovem não é dar a ele caminhos fáceis a serem seguidos, mas sim oferecer condições de se caminhar por estradas, mesmo que árduas, que o levem a coerência, a dignidade e a competência.

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