Considerando o tema explorado na novela da Rede Globo de Walcyr Carrasco, “Amor à Vida” – a bissexualidade do personagem Félix interpretado pelo ator Mateus Solano – trouxe algumas contribuições da psicanálise sobre o tema e como Freud o conceituou.

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Para Freud a sexualidade está remetida a ideia de prazer sendo assim não se pode entendê-la restrita aos limites biológicos com fim na procriação. A ideia de que a bissexualidade está na base da constituição do ser humano, nos leva a inferência de que não existe predeterminação na forma como o indivíduo irá constituir-se.


Ao nascer todo humano teria que construir sua identidade feminina ou masculina o que não estaria necessariamente relacionada à sua condição de homem ou mulher. Esse processo se dá distante da ideia de um corpo anatômico e próximo da compreensão do prazer sobre o corpo construído ao longo dos primeiros anos de vida da criança. Desta forma a história sexual é subjetiva, é de cada um e sendo assim precisa ser respeitada! Não existe uma ideia universal para a manifestação sexual!


É interessante pensar que a sociedade mesmo com seus valores e interesses econômicos políticos, religiosos ao imprimir a ideia do “estranho” quando se pensa no amor entre duas pessoas do mesmo sexo, não é capaz de manter o tema a margem… Tem algo que escapa ao poder… Insiste e reage colocando-nos a pensar na hipocrisia atrás dos ditos! É difícil romper com os paradigmas mesmo quando se acredita que está aberto as mudanças.


Em entrevista a Patricia Kogut (http://kogut.oglobo.globo.com) a atriz Bárbara Paz que da vida a personagem Edith, mulher de Félix na novela, ao mesmo tempo que diz “tenho a cabeça muito aberta”, logo é traída pelo próprio discurso ao referir-se ao rumo que daria quanto ao fato de ser traída como sua personagem: “Tem muita coisa para avaliar além da atitude… “É uma fraqueza ou ele vai agir assim para o resto da vida?” – No dicionário encontramos como definição para fraqueza: Fragilidades, falhas, defeitos.


O ator Mateus Solano em entrevista para a revista Marie Clair (http://revistamarieclaire.globo.com) marca a sua surpresa quanto ao tema: “É incrível que, nos anos 2013, a gente ainda esteja discutindo o direito de pessoas gostarem de outras do mesmo sexo.”


Eu diria ainda que é incrível pensar que Freud (1905) humanizou a sexualidade mostrando que não há certo ou errado no que diz respeito às escolhas amorosas… Mas há sempre algo que da ordem do impossível de ser compreendido… Nesse sentido o que é sempre atual é o mal-estar que o tema causa na sociedade!

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