Este material tem como objetivo levar pais e educadores a pensarem sobre os aspectos que estão implícitos na experiência do Bullying.As reflexões a seguir são fruto do meu trabalho na clínica com crianças e jovens que desvelam e revelam suas angústias a partir dos maus encontros vividos no grupo familiar ou social:

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– A criança que transforma sua agressividade em violência é tão vítima quanto seu alvo: Geralmente é o reflexo de algo que foi produzido dentro da família como por exemplo, pais muito benevolentes onde a ideia de limites é apenas uma ficção.


– A criança agressora muitas vezes está colocando em prática uma experiência de violência vivida junto aos adultos que lhes são próximos.
– O que os adultos não sabem é que a indiferença ou falta de interesse pela criança tem valor de agressão. Uma das formas de se livrar da dor provocada por essa experiência e devolvendo-a ao mundo é através da violência.


– É preciso olhar com cuidado para a criança que se torna alvo das agressões verbais ou físicas de outras crianças: Ao ficar submetida à crueldade dos outros está nos dizendo com seu silêncio que precisa de ajuda no que diz respeito as suas emoções.


– Os educadores deveriam se preocupar com as crianças que estão excessivamente quietas nas suas cadeiras tanto quanto se preocupam com as crianças ditas “hiperativas”. Muitas vezes o silêncio exacerbado é um “grito” às avessas de um pedido de socorro!


– Muitas vezes o que está em jogo na violência dirigida a uma criança por outra criança é a possibilidade de desviar para o outro algo de intolerável em si mesmo.


– Os pais incitam seus filhos a promoverem a violência escolar quando ensinam que os mesmos serão valorizados e ganharão respeito através da força física ou do terror psicológico.


– Com grande frequência assistimos na atualidade crianças e jovens que não se afetam ao serem pegos ao praticarem sua hostilidade contra outras crianças e jovens. Seria essa atitude um reflexo do senso de impunidade que marca a nossa cultura?


– A falta de censura e vergonha ao praticar Bullying nos leva a pensar numa juventude perversa.


– Os indivíduos no grupo deixam suas inibições individuais e despertam suas pulsões agressivas que ficam adormecidas. Sendo assim todas as pessoas podem tornar-se violentas quando não deslocam sua agressividade para algo produtivo.


– Se os pais não são capazes de oferecer um continente a criança, poderão levá-la a um trasbordamento diante das frustrações que a vida lhe imputa. Uma das formas seria através do deslocamento dos impulsos agressivos daquilo que não suporta pela via da violência contra os outros que a cercam.

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